Revisão Científica 2025
Estrogénio em homens ("mulheres trans"): sinais de risco emergentes e acumulados
Fonte científica
Schwartz, Lauren; Lal, M.; Cohn, J.; Mendoza, C. D.; MacMillan, L. (2025). Emerging and accumulating safety signals for the use of estrogen among transgender women. Discover Mental Health, vol. 5, art. 88. DOI: 10.1007/s44192-025-00216-3.
Artigo de revisão científica, de acesso aberto, publicado em 2025 na revista Discover Mental Health. Este estudo analisa sistematicamente a literatura médica disponível sobre os efeitos do estrogénio exógeno em homens biológicos que procuram parecer-se com mulheres, procurando identificar sinais de risco fisiológicos, neurológicos e metabólicos associados a esta intervenção terapêutica.
Objectivo do estudo
O estudo realiza uma análise abrangente dos sinais de risco fisiológicos e neurológicos associados ao uso de estrogénio exógeno, frequentemente combinado com antiandrogénios, em homens biológicos que se identificam como mulheres. O foco principal do artigo não é estabelecer comparações entre diferentes abordagens terapêuticas, mas sim a identificação e sistematização de danos potenciais documentados na literatura médica internacional.
Não‑maleficência
Primum non nocere — primeiro, não causar dano
Beneficência
Agir no melhor interesse do paciente
Autonomia
Consentimento informado baseado em evidência
Justiça
Acesso equitativo a informação de qualidade
Os autores enquadram rigorosamente a análise nos princípios médico-éticos clássicos, sublinhando de forma particular a necessidade imperativa de um consentimento informado baseado em evidência científica fiável e actualizada, que permita aos pacientes tomar decisões verdadeiramente esclarecidas sobre os riscos e benefícios das intervenções propostas.
Qualidade da evidência sobre benefícios
O artigo reúne e analisa dados provenientes de múltiplas revisões sistemáticas recentes, chegando a conclusões preocupantes sobre a base de evidência que sustenta estas intervenções terapêuticas.

Achado crítico: A evidência de benefício clínico da terapêutica hormonal é consistentemente classificada como baixa ou muito baixa segundo critérios metodológicos rigorosos.
Ausência de ensaios robustos
Não existem ensaios clínicos randomizados robustos que demonstrem melhorias consistentes e clinicamente significativas em indicadores como depressão, ansiedade, qualidade de vida ou redução do risco de suicídio em populações tratadas com estrogénio.
Revisão Cochrane inconclusiva
Uma revisão sistemática Cochrane especificamente dedicada aos efeitos do estrogénio não encontrou estudos elegíveis concluídos que cumprissem os critérios metodológicos mínimos de qualidade para inclusão na meta-análise.
Prática sem validação
Intervenções que foram inicialmente introduzidas como práticas experimentais ou inovadoras passaram rapidamente para a prática clínica generalizada, incluindo a aplicação sistemática em menores, sem validação científica adequada através de estudos longitudinais controlados.
Riscos fisiológicos previamente reconhecidos
O estudo identifica e documenta riscos já estabelecidos na literatura médica, embora frequentemente subvalorizados ou inadequadamente comunicados aos pacientes durante o processo de consentimento informado.
Infertilidade
A exposição ao estrogénio exógeno provoca atrofia testicular progressiva, fibrose intersticial e cessação completa da espermatogénese. Em muitos casos documentados, os efeitos sobre a função reprodutiva podem ser irreversíveis, mesmo após descontinuação da terapêutica.
Estudos histopatológicos de alta resolução revelam alterações estruturais profundas e extensas nos testículos após exposição prolongada a estrogénio e antiandrogénios, incluindo degeneração dos túbulos seminíferos.
Tromboembolismo venoso
O tromboembolismo venoso é reconhecido como um risco clinicamente significativo e potencialmente fatal associado ao uso de estrogénio em homens biológicos. A formação de coágulos nas veias profundas pode levar a embolias pulmonares com consequências graves.
Acidente vascular cerebral
O risco de acidente vascular cerebral (AVC) encontra-se significativamente aumentado em comparação com homens não submetidos a hormonização, com particular incidência de eventos isquémicos cerebrais.
Riscos cardiovasculares dependentes da duração
Com base em estudos de coorte de grande dimensão populacional conduzidos em vários países europeus e norte-americanos, o artigo apresenta evidência robusta de que os riscos cardiovasculares não são estáticos, mas aumentam progressivamente com a duração da exposição hormonal.
Curto prazo (1-2 anos)
O risco de tromboembolismo venoso é entre 2 a mais de 5 vezes superior ao observado em homens não expostos a hormonas exógenas.
Médio prazo (3-5 anos)
O risco de AVC isquémico começa a aumentar de forma mais pronunciada, com estudos a reportar elevações significativas na incidência de eventos cerebrovasculares.
Longo prazo (>5 anos)
Após vários anos de tratamento contínuo, alguns estudos de seguimento prolongado reportam riscos cardiovasculares até cerca de 10 vezes superiores aos da população masculina de referência.
Tendência crescente
Achado crítico: os riscos não estabilizam ao longo do tempo, mas continuam a aumentar de forma praticamente linear com a duração da exposição ao estrogénio exógeno.

Implicação clínica: A natureza progressiva destes riscos sugere efeitos cumulativos irreversíveis no sistema cardiovascular, levantando questões sérias sobre a sustentabilidade a longo prazo desta intervenção terapêutica.
Mortalidade global
Dados populacionais dos Países Baixos
Estudos de coorte de longa duração realizados nos Países Baixos, um país com registos médicos excepcionalmente rigorosos e abrangentes, fornecem dados preocupantes sobre a mortalidade a longo prazo.
A mortalidade global de homens ("mulheres trans") em tratamento hormonal é significativamente superior à observada na população geral, mesmo após ajuste para factores de confundimento conhecidos como estatuto socioeconómico e comportamentos de risco.
Divergência precoce
A divergência nas curvas de sobrevivência surge poucos anos após o início da hormonização
Aumento contínuo
O diferencial de mortalidade aumenta de forma contínua e acelerada ao longo do tempo

Principais causas de morte identificadas
Doença cardiovascular
Enfarte do miocárdio, AVC, tromboembolismo
Cancro
Neoplasias diversas com sobre-representação
Infecções
Susceptibilidade aumentada a infecções graves
Suicídio
Taxas persistentemente elevadas
Alterações metabólicas
O estudo documenta de forma detalhada múltiplas alterações metabólicas adversas associadas à terapêutica hormonal feminizante, com potenciais implicações graves para a saúde a médio e longo prazo.
Composição corporal
Aumento significativo da massa gorda, particularmente na região abdominal, acompanhado de diminuição marcada da massa magra (músculo esquelético). Estas alterações podem contribuir para redução da capacidade funcional e aumento do risco metabólico.
Resistência à insulina
Desenvolvimento de resistência à insulina clinicamente significativa, documentada através de múltiplos marcadores laboratoriais incluindo glicemia em jejum, insulinemia e testes de tolerância à glicose.
Risco de diabetes tipo 2
Alguns estudos incluídos na revisão mostram aumentos marcados do índice HOMA-IR já nos primeiros dois anos de tratamento hormonal. O HOMA-IR é um indicador validado e precoce de risco de progressão para diabetes tipo 2 estabelecida, sugerindo trajectória metabólica adversa.

As alterações metabólicas observadas são biologicamente compatíveis com o perfil de risco conhecido do estrogénio em homens, mas a magnitude e rapidez de instalação são clinicamente preocupantes.
Doenças autoimunes
A revisão identifica e documenta associações estatisticamente significativas entre o uso prolongado de estrogénio em homens biológicos e o desenvolvimento ou agravamento de múltiplas doenças autoimunes, um padrão consistente com o papel conhecido do estrogénio na modulação da resposta imunológica.





Lúpus eritematoso sistémico
Doença inflamatória crónica que pode afectar múltiplos órgãos
Esclerose sistémica
Doença do tecido conjuntivo com fibrose progressiva
Esclerose múltipla
Doença desmielinizante do sistema nervoso central
Os autores referem que o estrogénio pode desempenhar um papel patogénico directo na activação inicial ou no agravamento progressivo de doenças autoimunes neste grupo populacional específico, através de mecanismos que incluem alteração da regulação de células T, produção aumentada de autoanticorpos e desregulação de citocinas pró-inflamatórias.
Esta observação é particularmente relevante dado que as doenças autoimunes são tipicamente mais prevalentes em mulheres biológicas, sugerindo que a exposição ao estrogénio pode mimetizar ou amplificar vulnerabilidades imunológicas associadas ao sexo feminino.
Cancros associados
Sinais de risco oncológico acrescido
A análise da literatura identifica aumentos preocupantes na incidência de múltiplos tipos de cancro em homens expostos a estrogénio exógeno, com padrões que sugerem relações causais plausíveis mediadas por mecanismos hormonais.
Cancro da mama masculino
Documentada uma incidência muito superior à observada em homens não expostos a estrogénio, com taxas que se aproximam ou excedem as observadas em mulheres biológicas em alguns estudos. O cancro da mama em homens tende a ser diagnosticado em estadios mais avançados devido à ausência de rastreio sistemático.
Cancro da tiroide
Aumento significativo do risco de cancro da tiroide, incluindo subtipos histológicos com prognóstico menos favorável como variantes foliculares e pouco diferenciadas. A tiroide é um órgão particularmente sensível à estimulação estrogénica.
Neoplasias testiculares
Neoplasias testiculares observadas em séries cirúrgicas de orquiectomias realizadas em contexto de terapêutica hormonal, incluindo tumores de células germinais e gonadoblastomas. Existem hipóteses científicas robustas de associação causal à exposição hormonal prolongada e às alterações histológicas induzidas.
Os mecanismos propostos incluem estimulação proliferativa directa de tecidos sensíveis a hormonas, desregulação de vias de sinalização celular, e alteração de sistemas de reparação de ADN.
Efeitos no cérebro masculino
O artigo reúne evidência proveniente de múltiplos estudos de neuroimagem estrutural e funcional, bem como análises de biomarcadores cerebrais, que demonstram alterações significativas e potencialmente irreversíveis na estrutura e função do cérebro masculino após exposição ao estrogénio exógeno.
Redução do volume cortical
Diminuição mensurável da espessura e volume do córtex cerebral
Aumento ventricular
Expansão dos ventrículos cerebrais, indicador de atrofia
Alteração neuroquímica
Modificação das concentrações de neurotransmissores chave
Redução de BDNF
Níveis diminuídos de factor neurotrófico cerebral
Implicações neuropsiquiátricas
Estas alterações neuroestruturais e neuroquímicas são biologicamente plausíveis como factores de risco para o desenvolvimento ou agravamento de múltiplas condições neuropsiquiátricas e neurodegenerativas.
  • Depressão major resistente ao tratamento
  • Défices cognitivos em domínios como memória e função executiva
  • Possível aumento do risco de demência a longo prazo, incluindo doença de Alzheimer

A redução de BDNF (brain-derived neurotrophic factor) é particularmente preocupante, dado o papel central desta proteína na plasticidade neuronal, neurogénese adulta e resiliência sináptica.
Consentimento informado e implicações éticas
Os autores dedicam especial atenção às implicações éticas das lacunas identificadas na comunicação de riscos e na qualidade da evidência que sustenta estas intervenções, levantando questões fundamentais sobre a adequação dos processos actuais de consentimento informado.
Comunicação inadequada de riscos
Muitos dos riscos fisiológicos, metabólicos, neurológicos e oncológicos descritos na literatura científica não são adequadamente comunicados aos pacientes durante o processo de obtenção de consentimento informado, violando princípios éticos fundamentais de autonomia e transparência.
Caracterização enganosa
A caracterização frequente da terapêutica hormonal como tendo efeitos apenas cosméticos ou superficiais não é compatível com a evidência científica disponível, que documenta alterações sistémicas profundas afectando múltiplos órgãos e sistemas fisiológicos.
Necessidade de investigação rigorosa
Existe uma necessidade urgente e premente de estudos longitudinais rigorosos, com seguimento prolongado, grupos de controlo adequados, e avaliação sistemática de desfechos clinicamente relevantes incluindo morbilidade, mortalidade e qualidade de vida objectiva.
Revisão independente
Os autores apelam a processos de revisão sistemática verdadeiramente independente, livres de conflitos de interesse ideológicos ou financeiros, que possam avaliar de forma objectiva o perfil risco-benefício destas intervenções.
"O consentimento informado genuíno requer não apenas informação, mas informação completa, precisa, compreensível e actualizada sobre todos os riscos conhecidos e potenciais, apresentada de forma imparcial que permita decisões verdadeiramente autónomas."
Conclusão

Com base exclusivamente na análise rigorosa e sistemática da literatura científica disponível, o estudo conclui de forma inequívoca que o uso de estrogénio exógeno em mulheres trans está associado a múltiplos sinais de risco fisiológico, neurológico, metabólico e oncológico.
Riscos estabelecidos e emergentes
Alguns riscos já são reconhecidos pela comunidade médica, enquanto outros são emergentes e requerem investigação urgente. Muitos apresentam potencial para impacto irreversível na saúde a longo prazo.
Prudência clínica
Os autores defendem a adopção de prudência clínica fundamentada no princípio de não-maleficência, particularmente em populações vulneráveis como menores e jovens adultos.
Melhoria da evidência
Necessidade imperativa de melhoria substancial da qualidade da evidência científica através de ensaios clínicos randomizados, estudos de coorte de longa duração, e investigação mecanística rigorosa.
Transparência total
Imperativo ético de transparência total na comunicação de riscos aos pacientes, permitindo decisões verdadeiramente informadas que respeitem a autonomia individual dentro de um quadro de protecção da saúde.

Nota final: Este resumo baseia-se integralmente no conteúdo do artigo científico referenciado e não constitui orientação clínica. Profissionais de saúde devem consultar a literatura primária e guidelines clínicas actualizadas. Pacientes devem discutir todos os aspectos do tratamento com profissionais de saúde qualificados.